Indivíduo, Negócios, Sócios

Porque não executamos aquilo que planejamos?

18 de julho de 2017

Uma das situações mais comuns que encontro nas empresas é a dificuldade em colocar em prática o que foi planejado. Muitas vezes, há um planejamento estratégico até bem formulado, objetivos e projetos desdobrados para todo o time e, no entanto, mesmo com todo esse modelo percorrido, nada acontece! Por que, afinal, há tanta dificuldade na execução daquilo que foi planejado com tanto esforço? Para responder este questionamento, vou falar de uma situação bem corriqueira para quem tem filhos, tratada de duas maneiras distintas.

Maneira 1: Imagine que seu filho adolescente precise realizar uma determinada atividade do seu cotidiano, como fazer uma tarefa do colégio, lavar a louça ou arrumar o quarto. Peça para ela realizar a tal atividade e depois não se preocupe, não pergunte se ele já concluiu, não acompanhe. Dessa forma, afirmo, sem muita dúvida, que há uma pequena probabilidade do seu filho obedecer ao seu pedido.

Maneira 2: Imagine a mesma situação acima, seu filho adolescente precisando realizar uma determinada atividade do cotidiano. Você irá fazer o mesmo pedido, mas agora, depois de um certo período, você irá verificar se a atividade foi mesmo realizada. Mais ainda: caso não tenha sido feita, você irá ratificar a importância da sua realização e vai dar um novo prazo, checando novamente depois de um certo período. Caso seu filho continue sem executar, você irá repreendê-lo e vai novamente acompanhar até que a atividade seja finalmente realizada. Caso você, como pai ou mãe, decida optar pela maneira 1 como “método de gestão” de seu filho, haverá uma grande chance de criar uma cultura de não execução de tarefas. Ao contrário, caso a opção seja pela maneira 2, há um considerável aumento na probabilidade de execução disciplinar das tarefas solicitadas.

Coloquei a situação acima porque, diferente do que possamos ou queiramos imaginar, no ambiente empresarial, a lógica é exatamente a mesma: o método de gestão que você seguir, como líder, irá contribuir fortemente para a criação, ou não, de uma cultura de execução.

Pense nos membros da sua equipe como o filho adolescente do exemplo acima: por mais talentosos que sejam e por mais que tenham alta capacidade de gerenciar sua própria rotina, eles precisam sim de acompanhamento, precisam de cobrança e de foco. Cobrança e foco. Duas palavras-chaves quando se fala em execução. Vamos começar pela primeira. Normalmente, quando pergunto aos presidentes das empresas em que atuo, se eles cobram sistematicamente os resultados do seu time, na grande maioria das vezes a resposta é: “Lógico! A coisa que mais faço é cobrar minha equipe! Mas mesmo assim não vejo as ações sendo executadas!”. É uma resposta quase que padrão. E, também, na maioria das vezes, não deixa de ser verdade. Há a cobrança e isso é um ponto positivo. O problema começa quando eu pergunto o “como”. Quando os líderes começam a relatar como eles fazem a cobrança, eu começo a entender o porquê da não execução das ações. Cobrar não é apenas perguntar periodicamente sobre as ações que o time está fazendo. Cobrar, de uma maneira efetiva, exige método, e listo abaixo os itens que compõem uma cobrança efetiva:

1) As entregas de cada membro da equipe devem estar claras e devem ser medidas por meio de indicadores de desempenho. Não podem haver áreas sem métricas para mensuração dos seus resultados;

2) Deve haver uma sistemática formalizada de acompanhamento de resultados, que envolta todos da organização, desde o presidente até o nível mais operacional. Esta sistemática deve ser periódica, com cronograma divulgado para toda a empresa;

3) As ações desenvolvidas na empresa devem ser validadas e listadas, utilizando-se a ferramenta plano de ação, que deve contar, além das ações, seus respectivos prazos e responsáveis;

4) Por último, da mesma forma que deve existir o acompanhamento dos resultados, deve haver, ainda de forma mais enfática, o acompanhamento das ações, já que é por meio destas que os resultados são gerados.

Com estes 4 pontos praticados, o terreno ficará fértil para a implantação de uma cultura de execução. Para solidificar esta cultura, vem a segunda palavra-chave: foco. Em um mundo de tanta informação, e com cada vez mais velocidade, é muito fácil perdermos o foco em nossas tarefas do dia a dia. Ser multitarefa, por muito tempo foi valorizado e ainda há quem pregue essa forma de atuação. No entanto, cada vez mais pesquisas mostram que fazer várias coisas ao mesmo tempo, na verdade, geram improdutividade. Sendo assim, para manter o foco, também recomendo algumas práticas:

1) Priorize as suas atividades tendo como base os indicadores sob sua responsabilidade cujas metas não estão sendo alcançadas;

2) Uma vez identificados os pontos de atuação prioritários (indicadores fora da meta), priorize a realização das ações que reúnam a maior simultaneidade possível entre estes itens: impacto no resultado, rapidez na implementação e acessibilidade em termos de custo. Realizadas as devidas priorizações, só passe para a próxima atividade após totalmente realizada a anterior! Não economize na disciplina! Não tenho dúvida ao dizer que, seguindo esses passos, você estará colocando sua empresa no caminho da implantação de uma cultura sólida de execução! Boa caminhada!

Waldiney Araújo; Consultor Especialista em Gestão de Desempenho. Possui mais de 10 anos de atuação em organizações dos mais variados segmentos da economia.

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